ela toda errada, de cabeça pra baixo, do lado contrário, toda pelo avesso […] Não são os
melhores lados, mas você ama de qualquer jeito."
É assustador o jeito como damos certo. Longe dele, eu sou preguiçosa; longe de mim ele sorri menos. Quando ele está ausente, eu conto os dias que faltam pro próximo encontro; na minha falta ele prega a cara no calendário e faz cálculos pra saber quando podemos nos encontrar de novo. Longe dele eu sou áspera, raivosa, sentimental; longe de mim ele é manso, calmo, trabalhador, rotineiro. Longe dele eu adoeço; longe de mim ele entorpece. A distância nos mantém juntos o tempo todo. É eu dizendo com voz de choro que o quero de volta aqui; é ele dizendo que sente falta de me abraçar no meio da noite. Mas a distância também nos separa. Quando brigamos.. eu culpo a saudade; ele prefere culpar a minha insegurança. Se ele pede pra ligar mais tarde e eu ainda tenho coisas a dizer, ele quase pira; se ele liga e me ouve conversar com outras pessoas quer logo saber quem é. Ele acha que eu preciso ser menos dramática; eu acho que ele precisa ter mais paciencia. Não concordamos nas brigas... Se começamos a discutir, caminhamos do nada a lugar nenhum. Mas, na vida... Ah! Na vida... Como somos lindos juntos! As caretas que ele faz, os bicos que eu faço; as piadas de tudo que ele vê. As histórias que contamos um ao outro e a forma como nossos caminhos se encaixaram. Ah! Quando nos encontramos, quando nos olhamos e apertamos o corpo de um contra o do outro... Assunto encerrado. É assustadoramente fácil ver que existe amor. O jeito como eu sorrio; a maneira como ele segura minha mão; a forma como tentammos o tempo todo permanecermos ligados. Não! De jeito nenhum... Não somos perfeitos, aliás, passamos longe disso. Não nos completamos, de maneira alguma. Fazemos mais do que isso. As imperfeições dele, as minhas qualidades ajudam a superar. Os meus defeitos são ajudados pelas perfeições que ele possui. Ele calmo normalmente, eu estressada diariamente; eu ciumenta, ele confiante; ele detalhista, eu distraída; ele bom com números, eu boa com as letras; ele um pouco louco; eu louca por ele.. Nós nos somamos. Ele deposita todas suas forças pra me fazer estudar; eu tento trazê-lo pra perto, cuidar dele; ele dá força; eu mostro como ter paciência; ele me ensina a esperar; eu o ensino que o amor existe; eu o ajudo a amadurecer; ele me faz voltar a ser criança; eu tiro a solidão dele; ele não me deixa ser carente. Ele é inteiramente o meu avesso por dentro. Eu sou inteiramente o avesso dele por fora. Somos tão iguais, e ao mesmo tempo, tão diferentes.. Que nessa balança louca de amor e realidade busquemos o equilíbrio, juntos. Somos um time, somos dois, somos um. Somos tudo o que o outro sempre quis com todo o bônus e ônus que traz o amor. Do peso que é amar e saber ser amado é assustadoramente bom e leve acompanhar nossa história.

Dificil falar de mim e do Ni , sinto que não existem palavras nem argumentos suficientes para dizer ou tentar descrever tudo aquilo que se passa em meu coração.
A primeira vez que eu vi o Ni foi em uma gincana de escola. Quem me mostrou ele foi a Tia Regina que é tia dele.
Eu conheci a Tia Regina através da minha tia Ana Paula, que trabalhava junto com ela na escola Lacoan, que era a organizadora da gincana. Nessa época, por volta do começo de 2006 o Ni estudava La, tinha se mudado pro Brasil havia um tempo.
Eu só voltei a ver o Ni em uma festa da Igreja principal aqui da minha cidade, foi la que nós realmente nos falamos e nos conhecemos. Conversamos sobre várias coisas, de onde ele moarava, da vinda dele pro Brasil, das coisas dele, da namorada que ele tinha, enfim.
O Ni por destino, pq eu não acredito em acaso, estudava junto com a minha visinha, visinha de parede meia, e a família dela adora festas, comemorações, encontros e em uma dessas comemorações o Ni estava e agente foi só se aproximando mais. No começo era muita amizade, ate pq ele tinha uma namorada e eu um namorado.
Ele estava sempre na porta daqui de casa e juntava uma turma, as minhas visinhas, alguns amigos dele, era uma época boa e a gente se divirtia muito.
Bom, nossos relacionamentos não deram muito certo, o Ni acabou terminando com a namorada dele e eu com o meu namorado. O que não mudava era ele na porta daqui de casa, todas as noites, com estrela ou com chuva.
Eu achava aquilo um máximo, a gente era simples um com o outro, quando a gente estava junto, não tinha fingimento, a gente ria, contava casos.
Acho que nós dois começamos a perceber que aquilo ali ia crescer de alguma forma, já não era mais só amizade fazia algum tempo.
Foi no terceiro jogo do Brasil na copa de 2006 que o Ni me convidou pra ir assistir o jogo com ele na casa de um amigo e eu fui, claro. Foi o nosso primeiro beijo e mal sabia eu que seria o primeiro de muitos.
Desde então a gente não se desgrudou mais, era aquele namorinho de adolescente na rua. A gente se via praticamente todos os dias, eu ficava louca pra ele me ligar, pra gente se encontrar, passear de carro, ficar juntos.
Meus pais logo desconfiaram de alguma coisa, eu vivia na porta de casa com ele, ate mesmo quando não tinha ninguém, as vezes ele me deixava em casa, as vezes me buscava na escola, ate que a gente se desentendeu, ficamos sem nos falar por um tempo e já estava perto do meu aniversario, 19 de dezembro, que eu fiz uma reunião com alguns amigos em minha casa mesmo, muito simples, mas eu não o convidei.
Ele veio assim mesmo, lindo, com um buque de rosas enorme e maravilhoso, cheio de carinho e de desculpas, querendo me ter como namorada.
Nossa, foi tudo tão perfeito, tão bom, eu não me cabia dentro de mim de tanta alegria.
Nós assumimos o relacionamento, ele veio aqui em casa conversar com meus pais, começou a freqüentar a minha casa e não só a porta dela, a gente almoçava juntos quase todos os dias, se não na minha casa era em restaurantes e estávamos muito felizes.
Fizemos nossa primeira viagem juntos, com meus pais, pra uma pousada. Dormimos em quartos separados, mas foi ótimo, aproveitamos muito. Depois disso nós fomos também com meus pais pra Cabo Frio/RJ e foi melhor ainda.
Eu quero muito estudar pra arquitetura ou engenharia, então gosto muito de organização, bela decoração, cidades bem planejadas e cabo frio é assim, fiquei apaixonada por lá, o Ni me levou pra conhecer todos os lugares, de noite a praia ficava praticamente deserta e a gente sentava na areia pra namorar, foi muito bom mesmo.
Algumas vezes o Ni teve que viajar pra São Paulo, por causa do trabalho, essa era a pior parte, ficar longe dele era terrível. Eu estava acostumada com aquilo diariamente e só de ter que ficar alguns dias que fossem longe dele era terrível.
Nós fizemos a nossa primeira viagem sozinhos em 2009, foi no réveillon de 2009 para 2010. Viajamos para Paraty/RJ com o irmão dele, o Jonathanque mora em Miami, e a namorada dele, a Diana. Foi perfeito também, principalmente pq era só eu ele, apesar de termos mais um casal conosco, isso não fazia muita diferença, a viagem foi maravilhosa.
Foi em 2010 quando o Ni teve que ir, pela primeira vez em todo o tempo em que estávamos juntos, para Miami. Ele recebeu uma proposta de emprego La e tinha que ir.
Essa sim foi a pior parte, de todos os problemas que já passamos juntos, de tudo que já tivemos que enfrentar o que nos deixa realmente tristes é a distância.
O Ni queria me levar com ele, mas para brasileiros, ir pra Miami é muito burocrático, e alem do mais, meus pais não deixariam assim tão fácil, como não deixaram. Eles concordaram que eu poderia ir,c ontando que Nicholas antes se organizasse primeiro e tivesse condições boas para isso.
Dessa primeira vez que ele foi ele ficou por três meses. Naquela época eu achava que eram os meses mais sofridos de toda a minha vida. A gente se falava pouco pela internet e menos ainda por telefone. A saudade era enorme.
Ele voltou pro Brasil, mas teria que ir denovo no meio do ano. E assim foram mais dois meses.
O Ni voltou decidido que voltaria a morar em Miami e que me levaria com ele, que assim que voltasse pra La ele iria dar entrada nos papeis para o meu visto e todas as coisas que fossem necessárias.
O Ni ficou comigo ate o fim do ano de 2010 e aproveitamos cada segundo que podíamos juntos, que infelizmente não eram muitos, pq eu trabalhava em uma loja de roupas que tomava conta de grande parte do meu tempo, mas mesmo assim a gente dava um jeito.
A pior parte foi essa, eu nunca imaginei que teria um namoro a distancia, que um dia eu teria que viver lonoge dele.
Ele se mudou em Janeiro de 2011 e junto com a mudança dele a dor se mudou pra dentro de mim. É um sentimento horrível, de perda, com vontades, com sonhos, com espera, com suadade. Eu me sentia como se tivesse deixando escapar o amor da minha vida. Todos os dias, TODOS, foram muito difíceis. Eu continuei trabalhando, pra ocupar a cabeça, pra tentar me distrair, mas não existia uma só coisa que não em fazia lembrar do Ni.
A gente fazia tudo juntos, almoço, lanche, jantar. Nós nos apoiávamos um no outro, dividíamos os problemas, os momentos difíceis, os de perda, Dividiamos risadas, brincadeiras. Eramos verdadeiras crianças, mas ao mesmo tempo éramos maduros suficientes pra estarmos juntos.
A falta que ele me fez e faz ate hoje, não vai existir tempo, não vai existir argumento, não vai existir nada que consiga repor. Nós felizmente conseguimos continuar separados pela distancia, mas unidos pelo espírito e pela força de Deus em nossas vidas e continuamos nos ajudando, rindo e brincando, dividindo os momentos, como podíamos.
Nada é como seria se estivéssemos juntos de verdade, mas não existe uma coisa sequer nesse mundo que abale o que sentimos um pelo outro.
Deus é tao poderoso em nossas vidas, que mesmo existindo distancia, ele nos mostrou que com esse tempo separados, nós poderíamos tirar proveito de muitas coisas um para o outro.
E isso aconteceu, a distanica só serviu para nos unir ainda mais, para amadurecermos, adiquirirmos conhecimento, responsabilidade, dignidade e amor, pq o amor, esse só almentou e ate hoje não parou de crescer.